Djalma Feitosa Dias, conhecido como Djalminha, um dos meias mais talentosos do futebol brasileiro entre os anos 90 e o início dos anos 2000, frequentemente comenta sobre a genialidade de Lionel Messi. Em tom de brincadeira, o ex-jogador descreve o craque argentino como “chato” pela sua extrema objetividade em campo, priorizando a efetividade sobre os dribles mais elaborados.
Esta observação de Djalminha já foi compartilhada em programas de televisão e, inclusive, mencionada ao próprio Messi. O encontro ocorreu durante o último Mundial de Clubes da FIFA nos Estados Unidos, após a vitória do Palmeiras, time de Djalminha, sobre o Inter Miami, equipe do argentino.
A perspectiva de Djalminha sobre Messi ressalta um debate antigo no futebol: a dualidade entre a arte pela arte e a busca implacável pelo resultado. Enquanto alguns jogadores encantam com lances plásticos, outros são admirados pela sua capacidade de decidir partidas de forma direta e eficiente.
Djalminha: O Artista do Meio-Campo
Djalminha, filho do também craque Djalma Dias, construiu uma carreira marcada por lances de pura magia. Seu estilo de jogo era pautado pela visão, habilidade e um repertório vasto de dribles, incluindo canetas, lençóis e carretilhas, executados em diversas direções.
Formado no Flamengo, com passagens notáveis por Guarani, Palmeiras e Deportivo La Coruña, Djalminha era um verdadeiro showman. Ele sentia prazer em desmoralizar os adversários com seus movimentos inesperados e sua capacidade de ver a jogada um segundo antes dos outros atletas em campo.
Apesar de sua genialidade artística, Djalminha não tinha a objetividade como sua principal característica. Ao longo de sua carreira, ele somou 173 gols, um número expressivo para um meia, mas que reflete um estilo mais focado na criação e na plasticidade do que na finalização pura. Suas famosas cavadinhas em cobranças de pênalti eram um exemplo de sua inventividade.
Messi: A Objetividade que Encanta
Do outro lado, Lionel Messi personifica a objetividade que Djalminha descreve. O craque argentino tem redefinido o que significa ser eficaz no futebol, combinando técnica sublime com uma capacidade de decisão sem precedentes.
Recentemente, Djalminha teve a oportunidade de ver Messi em ação de um ângulo privilegiado, como repórter da Cazé TV em Kansas City. Ele presenciou Messi marcando três gols em uma partida de Copa do Mundo, alcançando Miroslav Klose como o maior artilheiro da história dos Mundiais, com 16 tentos.
Um dos gols de Messi na ocasião é um exemplo de sua marca registrada: domínio de bola, ajuste para a perna esquerda, tirando do marcador e finalização precisa, com curva e força perfeitas, no canto do goleiro. Um movimento repetido centenas de vezes ao longo de sua carreira, que se tornou sinônimo de efetividade.
Os Números da Eficácia Genial
Os números de Messi são impressionantes e refletem sua objetividade. Com mais de 915 gols e 400 assistências na carreira, o argentino demonstra uma consistência rara em transformar jogadas em resultados concretos. Sua capacidade de estar sempre bem posicionado e de finalizar com precisão é um fator determinante para seu sucesso.
Messi não se prende a malabarismos desnecessários. Sua genialidade reside na execução perfeita do fundamental, no passe que abre a defesa, no drible que cria espaço e na finalização que decide. Cada movimento é pensado para o objetivo final: o gol ou a assistência. Esta eficiência máxima é um dos pilares de seu legado no esporte.
Nelson Rodrigues e a "Objetividade"
Nelson Rodrigues (1912-1980), um dos mais influentes cronistas brasileiros, criticava veementemente o que chamava de “idiotas da objetividade”. Ele rejeitava a leitura fria e literal dos fatos, defendendo que a emoção e a subjetividade eram intrínsecas à compreensão do mundo.
Rodrigues usava o exemplo da cobertura jornalística do suicídio de Getúlio Vargas em 1954, onde os jornais, em sua visão, noticiaram o evento “sem pingar uma lágrima sobre seu corpo”, ignorando a emoção popular. No contexto do futebol, a “objetividade” de Messi, apesar de numérica, está longe de ser fria.
A forma como Messi alcança seus resultados é, paradoxalmente, uma das coisas mais belas e empolgantes que o esporte já produziu. Sua objetividade é envolta em uma aura de magia que transcende os meros números, transformando a eficácia em espetáculo.
Magia e Eficácia: A Evolução de Messi
Um equívoco comum é atribuir o êxito de Messi apenas a um dom divino. Embora seu talento seja inegável, sua longevidade e eficácia são também fruto de um trabalho árduo e dedicação contínua. Messi demonstra uma capacidade de adaptação e aprimoramento constante ao longo de sua carreira.
Um exemplo claro dessa evolução é sua habilidade como cobrador de faltas. Messi se tornou um exímio especialista nesse quesito na segunda metade de sua carreira, transformando um ponto forte em uma arma ainda mais letal. Sua busca por aprimoramento é incessante.
Mesmo em uma fase da carreira onde as pernas já não permitem o mesmo vigor de antes para driblar defesas inteiras, Messi encontrou novas formas de ser decisivo. Ele aprimorou a finalização certeira da entrada da área, como no gol contra a Argélia, demonstrando que a inteligência e a precisão podem compensar a perda de velocidade.
Aos 38 anos, Messi segue unindo magia e efetividade de uma forma que poucos na história do futebol conseguiram. Sua capacidade de decidir jogos, seja com um gol, uma assistência ou um lance genial, continua sendo um deleite para os amantes do esporte. É a prova de que a objetividade, quando executada com tamanha maestria, é uma forma de arte.
Testemunhar o “maior gênio da objetividade” em campo é uma oportunidade única para os fãs de futebol, que continuam a ser agraciados com performances históricas. O legado de Messi vai além dos títulos e recordes; ele redefiniu a forma como o talento e a eficácia se entrelaçam no mais belo dos esportes.
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