O Campeonato Brasileiro de 2026 continua a ser palco de uma intensa dança das cadeiras no comando técnico das equipes. A mais recente vítima dessa rotatividade foi Dorival Júnior, que deixou o Corinthians neste domingo (5), tornando-se o décimo treinador a ser demitido na atual edição da competição. Esse número alarmante reforça o perfil imediatista do futebol nacional, onde a busca incessante por resultados rápidos sobrepuja, muitas vezes, a construção de projetos a longo prazo.
A Saída de Dorival Júnior do Timão
A decisão da diretoria corintiana de desligar Dorival Júnior veio após o revés por 1 a 0 contra o Internacional, em plena Neo Química Arena. Embora o placar tenha sido apertado, a derrota se somou a uma sequência preocupante de nove jogos sem vitória, culminando na pressão que levou ao fim de sua passagem pelo clube. A instabilidade nos resultados recentes foi o fator preponderante para a mudança no comando técnico, apesar de um passado vitorioso.
Legado Recente e a Cultura de Resultados Imediatos
Apesar do desfecho abrupto, Dorival Júnior deixa o Parque São Jorge com um histórico de conquistas expressivas. Sob sua batuta, o Corinthians ergueu a taça da Copa do Brasil em 2025 e da Supercopa do Brasil em 2026, demonstrando capacidade de entregar títulos. Em 66 partidas à frente da equipe, alcançou um aproveitamento de 48,9%. Contudo, esses triunfos recentes não foram suficientes para sustentar seu cargo diante da recente fase de maus resultados, evidenciando como, no futebol brasileiro, o histórico vitorioso pode ser rapidamente ofuscado pela demanda por desempenho constante e imediato.
A Dança das Cadeiras no Brasileirão 2026
A demissão de Dorival Júnior é apenas o mais recente capítulo de uma saga de instabilidade que marca o Brasileirão 2026. Antes dele, uma série de outros nomes de peso já haviam sido desligados de seus clubes, refletindo a volatilidade do cargo no cenário nacional. Entre os treinadores que não conseguiram manter seus postos nesta temporada, destacam-se Jorge Sampaoli, que saiu do Atlético Mineiro, e Fernando Diniz, que deixou o Vasco. A lista se estende com figuras como Carlos Osorio (Remo), Filipe Luís (Flamengo), Hernán Crespo (São Paulo), Tite (Cruzeiro), Martín Anselmi (Botafogo), Juan Pablo Vojvoda (Santos) e Gilmar Dal Pozzo (Chapecoense). Essa profusão de trocas sublinha a dificuldade de implementar um trabalho de longo prazo, com a maioria dos projetos sendo interrompidos precocemente.
O panorama do Campeonato Brasileiro de 2026, com dez demissões de treinadores antes mesmo da metade da competição, reitera a urgência com que os clubes brasileiros buscam a vitória. Essa cultura do "imediatismo" impede, muitas vezes, que os profissionais desenvolvam suas metodologias e consolidem suas ideias de jogo, transformando o Brasileirão em um dos campeonatos mais desafiadores e instáveis para a permanência de técnicos. A persistência dessa mentalidade levanta questões sobre o impacto na qualidade técnica do futebol, na formação de identidades táticas e na saúde a longo prazo dos projetos esportivos no país.


