Recentemente, o atacante Neymar, aos 34 anos, tem utilizado seu canal no YouTube para compartilhar detalhes de sua trajetória. Em uma série de vídeos, o jogador abriu sua intimidade, exibindo coleções de camisas e troféus que marcaram sua carreira no futebol. Essa iniciativa tem gerado grande repercussão entre fãs e veículos de imprensa esportiva.
Durante um dos segmentos, Neymar não hesitou ao apontar a maior honraria individual que já recebeu. O craque do Santos destacou o troféu “Hors-Concours”, uma Bola de Prata especial concedida pela revista Placar em parceria com a ESPN Brasil. A escolha do jogador sublinha a importância particular deste prêmio em seu vasto currículo.
A exclusividade deste reconhecimento foi enfatizada pelo próprio Neymar. Segundo ele, apenas um outro atleta na história do futebol brasileiro foi agraciado com tal honraria: Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé. Este fato por si só eleva o status do prêmio e a conquista do atacante.
A declaração de Neymar reacende o interesse sobre o que significa o termo “Hors-Concours” e por que este troféu é considerado tão distinto. A premiação, que remonta a décadas, celebra performances que transcendem a competição usual, colocando o homenageado em um patamar à parte.
O Significado de "Hors-Concours"
O termo “Hors-Concours” tem origem francesa e sua tradução literal significa “fora de competição” ou “sem concorrência”. No contexto de premiações e concursos, ele é atribuído a indivíduos ou obras de arte que são consideradas de um nível tão excepcional que seria injusto ou desnecessário incluí-los na avaliação com outros competidores.
No universo do futebol, especialmente no Brasil, a expressão ganhou notoriedade através da Bola de Prata da revista Placar. Ao longo de sua história, a premiação reservou este título para jogadores que demonstravam um talento e uma performance que os elevavam acima de qualquer disputa comum.
Ser considerado “Hors-Concours” é um atestado de maestria e singularidade. É um reconhecimento de que o atleta em questão não apenas se destacou, mas estabeleceu um padrão de excelência que o coloca em uma categoria própria, raramente alcançada por outros.
Pelé: O Primeiro Atleta "Hors-Concours"
A história do troféu “Hors-Concours” no futebol brasileiro começa em 1970, ano de fundação da revista Placar e da criação de seu prestigiado prêmio Bola de Prata. Naquele ano, o Brasil havia acabado de conquistar o tricampeonato mundial no México, liderado por um inquestionável Rei Pelé.
Diante da grandiosidade do “Rei do Futebol”, a equipe da Placar enfrentou um dilema. Como incluir Pelé em uma competição regular de notas e avaliações, quando sua supremacia era tão evidente? A solução foi criar uma categoria à parte, exclusiva para ele.
O regulamento da Bola de Prata de 1970 já previa: “Pelé não participa da Bola de Prata, é hors-concours, tem troféu garantido, jogando bem ou não”. Esta decisão demonstrava o respeito e a admiração pela figura de Pelé, reconhecendo que seu impacto e talento não poderiam ser medidos pelos mesmos critérios dos demais.
A entrega do primeiro troféu “Hors-Concours” a Pelé foi um evento marcante. O fotógrafo Lemyr Martins foi o responsável por levar a honraria até Paramaribo, no Suriname, onde o Rei faria seu milésimo jogo contra o Transvaal. O troféu ficou exposto na capital do Suriname, sublinhando a importância do momento.
Neymar Alcança o Patamar Único em 2012
Quarenta e dois anos após o reconhecimento de Pelé, o “príncipe da Vila”, Neymar, repetiu o feito. Em 2012, durante sua primeira e marcante passagem pelo Santos, o jovem craque foi agraciado com a mesma honraria, consolidando-se como um dos nomes mais promissores da história do futebol.
A Trajetória Rumos à Excepcionalidade
A decisão de conceder o troféu “Hors-Concours” a Neymar não foi aleatória. Suas performances nos anos anteriores e em 2012 foram espetaculares. Em 2011, o atacante já havia brilhado intensamente, conquistando a Copa Libertadores com o Santos, um feito histórico para o clube.
No mesmo ano, Neymar recebeu o Prêmio Puskás da FIFA pelo seu gol antológico contra o Flamengo, uma demonstração de sua capacidade técnica e criativa. Ele também foi o vencedor da Bola de Ouro da Placar, eleito o melhor jogador do Campeonato Brasileiro daquele ano, apesar de uma campanha mediana do Peixe na competição.
Em 2012, Neymar manteve o alto nível, liderando o Santos ao tricampeonato paulista. Sua atuação no Campeonato Brasileiro daquele ano foi particularmente decisiva para o reconhecimento. O jogador terminou a competição com uma média de 7,12 em 17 partidas, a maior desde 1995, ano em que a Placar padronizou seus critérios de avaliação para a Bola de Prata.
A direção da revista Placar, em conjunto com a ESPN, que organizavam a premiação, se deparou com números e atuações que, mais uma vez, extrapolavam a média. A performance de Neymar era tão superior que a decisão de outorgar-lhe o prêmio “Hors-Concours” se tornou quase um consenso.
O Momento da Consagração
A entrega do troféu “Hors-Concours” a Neymar, então com 20 anos, foi um capítulo memorável na história do futebol brasileiro. O prêmio foi concedido por Ronaldinho Gaúcho, jogador do Flamengo, que, curiosamente, “herdou” a Bola de Ouro da Placar que seria destinada a Neymar naquele ano.
Neymar expressou sua emoção ao receber a honraria das mãos de um de seus ídolos. “Sem palavras para descrever a felicidade que eu estou sentindo por receber esse prêmio, só tenho a agradecer. Receber esse prêmio das mãos de um ídolo meu é um orgulho muito grande”, discursou o jovem craque, visivelmente emocionado.
Maurício Barros, diretor de redação da Placar à época, justificou a escolha com clareza. Ele destacou o voo supersônico de Neymar e citou a brincadeira de Ronaldinho Gaúcho: “Os outros vão de bicicleta; E tu vai de moto”, evidenciando a diferença de patamar do santista.
A justificativa de Barros reforçava a base factual da decisão: “Em sua quarta temporada como profissional, Neymar coleciona títulos importantes com o Santos, ganhou três chuteiras de ouro, duas Bolas de Prata e uma Bola de Ouro. Ganharia outra de Ouro este ano, pois a fantástica média de 7,12 que obteve em 17 jogos é simplesmente a maior da história desde a padronização dos critérios do prêmio, em 1995”.
Este reconhecimento não apenas consolidou Neymar como um dos talentos mais brilhantes de sua geração, mas também o colocou em um panteão seleto, ao lado do maior jogador de todos os tempos, Pelé. A honraria sublinhou a expectativa em torno de seu futuro no futebol mundial.
A Bola “Hors-Concours” permanece como um dos troféus mais significativos na coleção de Neymar, não apenas pelo seu design ou valor intrínseco, mas pelo simbolismo que carrega. Ela representa um reconhecimento de excelência que transcende as comparações, reservado a atletas que redefinem o jogo.
Compartilhar tal honraria com Pelé é um testamento da genialidade e do impacto que Neymar teve no futebol brasileiro em seus primeiros anos de carreira. É uma prova de que, desde cedo, o atacante já demonstrava um talento capaz de desafiar os padrões e estabelecer novos recordes.
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Fonte: https://placar.com


