Em uma análise profunda sobre as recentes eliminações da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, o renomado técnico italiano Carlo Ancelotti, em entrevista exclusiva à revista PLACAR, ofereceu sua perspectiva sobre a dramática queda contra a Croácia no Mundial do Catar em 2022. Ancelotti, conhecido por sua perspicácia tática, revelou ter estudado os confrontos de 2018 e 2022, mas para o jogo contra os croatas, a sua conclusão diverge das análises que apontam falhas estruturais, atribuindo a derrota a um fator quase intangível: o azar.
A Tese do 'Azar' na Derrota para a Croácia
O treinador não identificou erros táticos ou técnicos capitais que pudessem justificar a eliminação brasileira contra a Croácia. Em vez disso, Ancelotti aponta para a natureza fortuita do gol de empate croata, marcado por Petkovic, que desviou no zagueiro Marquinhos antes de balançar as redes. Segundo ele, nos minutos finais de uma partida decisiva, a mentalidade se volta para a defesa e para afastar a bola da própria meta, e, por vezes, a sorte decide o destino.
"Quando falta um minuto ou dois para o final, só se pensa em uma coisa: defender e tirar a bola o mais longe possível de seu gol. Então, às vezes acontece no futebol que um pouco de azar te condena", explicou o técnico. Ele reforçou a ideia de que o lance do gol croata "foi quase um gol contra por conta de um toque de um jogador", referindo-se ao desvio em Marquinhos, e concluiu: "Creio que sim [o gol da Croácia foi mais azar do que erro]. Há algo de sorte, mais azar do que erro."
O Enredo da Eliminação: Minutos Fatais no Catar
A partida entre Brasil e Croácia, válida pelas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, foi um verdadeiro teste de nervos. Após um empate sem gols no tempo regulamentar, a prorrogação trouxe emoção. Neymar quebrou o placar e abriu caminho para a aparente vitória brasileira, marcando um golaço no primeiro tempo extra. No entanto, a reação croata veio de forma cruel nos minutos finais da segunda etapa da prorrogação, a apenas quatro minutos do apito final.
O lance decisivo começou com uma tentativa de jogada ofensiva brasileira desarmada pelo zagueiro Josko Gvardiol. Em uma disputa pelo alto subsequente, a bola caiu nos pés de Luka Modric, com a defesa brasileira desorganizada e seis jogadores no campo ofensivo. Apesar de Casemiro tentar o desarme, desviando levemente a bola, ela ficou livre para Vlasic iniciar o contra-ataque. Ele encontrou Orsic na esquerda, que cruzou rasteiro para a finalização de Petkovic da entrada da área. A bola, conforme a análise de Ancelotti, desviou em Marquinhos antes de entrar, selando o empate e levando a decisão para os pênaltis, onde a Croácia venceu por 4 a 2. Curiosamente, segundo a FIFA, este foi o único dos 11 chutes da Croácia na partida que acertou a meta brasileira.
A Trajetória nas Copas: A Perspectiva de Ancelotti sobre as Quartas de Final
Além da análise específica da partida contra a Croácia, Ancelotti compartilhou uma visão mais ampla sobre a importância das diferentes fases em uma Copa do Mundo. Para o técnico, as quartas de final representam um ponto de inflexão crítico, especialmente para o Brasil, que historicamente tem enfrentado dificuldades e sido eliminado nessa etapa em diversas edições do torneio.
"Eu penso que as quartas de final em uma Copa do Mundo são um mata-mata determinante porque o Brasil saiu em muitas Copas nesta fase", alertou Ancelotti. Ele argumentou que, embora a final seja o objetivo supremo e um êxito por si só, as oitavas e, principalmente, as quartas de final são as fases mais importantes e desafiadoras, onde o verdadeiro teste da equipe é colocado à prova.
Entendendo os 'Apagões': Erros como Parte do Jogo
Questionado sobre a possibilidade de comparar o que aconteceu na derrota para a Croácia com outros "apagões" da Seleção, como a derrota por 3 a 2 para o Japão em um amistoso de outubro, Ancelotti minimizou a ideia de que tais momentos sejam sempre fruto de má atitude ou erro tático profundo. Para ele, o futebol é suscetível a falhas inerentes ao jogo.
"Penso que quando uma equipe joga mal nem sempre é por conta de má atitude ou porque tem mais erros. Joga mal porque joga mal, porque comete erros. O erro é compreensível, também faz parte do futebol", pontuou. O amistoso contra o Japão, no qual o Brasil vencia por 2 a 0 no intervalo e perdeu a vantagem em 19 minutos do segundo tempo, terminando em 3 a 2 para os japoneses, foi marcado por falhas individuais, como as do zagueiro Fabrício Bruno, evidenciando a tese de Ancelotti de que erros são uma componente natural e inevitável do esporte.
Conclusão: A Complexidade do Resultado no Futebol
A análise de Carlo Ancelotti sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2022 oferece uma perspectiva valiosa que transcende a mera avaliação tática. Ao focar na nuance do "azar" e na imprevisibilidade do futebol, especialmente em momentos cruciais, o técnico italiano nos lembra que o esporte é feito de detalhes, onde um desvio inesperado pode reescrever um destino. Sua visão sublinha a importância de compreender que, em partidas de alto nível, nem sempre o resultado adverso é sinônimo de falhas crassas, mas sim uma conjunção de fatores que inclui a infame "má sorte" e a própria natureza humana de cometer erros, elementos indissociáveis da beleza e da crueldade do futebol.
Fonte: https://placar.com


