Gianni Infantino, presidente da Fifa, enfrenta crise de popularidade e divisão global após propor o plano Fifa Forward Enterprises (FFE). A iniciativa, que visa vender ações a investidores privados para comercializar competições, gerou um boicote da Uefa, polarizando confederações e ameaçando sua reeleição em 2026.
A proposta da FFE, divulgada na última semana, visa criar uma empresa privada. Esta operaria a comercialização e organização de todas as competições da Fifa.
Infantino afirmou que a venda de ações aumentaria o repasse anual para federações. O valor passaria de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões, com arrecadação total de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,5 bilhões).
Uefa Lidera Oposição e Boicote
A Uefa forma a principal oposição a Gianni Infantino. A entidade europeia anunciou um boicote semana passada, afirmando que suas 55 federações não disputarão torneios Fifa com a FFE ativa.
Federações como a inglesa, galesa e sérvia já retiraram apoio público a Infantino. Mais entidades do continente devem se posicionar em breve, fortalecendo a queda do presidente suíço.
África Mantém Apoio a Infantino
Em contraste com a Uefa, a Confederação Africana de Futebol (CAF) permanece leal ao presidente da Fifa. Este apoio é impulsionado pela expansão de vagas africanas em Copas do Mundo.
O suporte financeiro ao desenvolvimento do futebol no continente também pesa. Patrice Motsepe, presidente da CAF, defendeu Infantino publicamente, elogiando sua dedicação ao esporte.
Federações do Congo e Marrocos também já manifestaram apoio formal ao suíço. Isso demonstra uma base sólida para Infantino no continente africano.
América do Norte e Ásia: Divisão Interna
Concacaf (América do Norte) e AFC (Ásia) inicialmente apoiaram o boicote da Uefa à FFE. Contudo, ambas confederações enfrentam divisões internas significativas.
Membros como o Catar, por exemplo, dentro da AFC, mantêm apoio a Infantino. Essa polarização impede uma posição unânime contra a proposta do presidente da Fifa.
Conmebol e OFC: Neutralidade e Análise
A Conmebol (América do Sul) convocou uma reunião para discutir o projeto FFE. No entanto, a entidade mantém neutralidade até o momento devido a divisões internas entre seus membros.
A CBF e outras duas federações, ainda não reveladas, seriam resistentes à proposta de Infantino. A Federação de Futebol da Oceania (OFC) também optou por não se posicionar.
Assim como a Conmebol, a OFC consultará seus membros e analisará a proposta FFE com cautela. A situação reflete a complexidade e sensibilidade do tema.
O Futuro de Infantino na Fifa
A permanência de Gianni Infantino na presidência da Fifa pode ser encerrada de duas formas: por renúncia voluntária ou por destituição, via votação das federações-membro.
Processo de Destituição
Para uma destituição, seria necessária a convocação de reunião emergencial do Conselho da Fifa. Ao menos 19 dos 37 membros do conselho precisariam solicitar o encontro.
Uefa, AFC e Concacaf, principais opositoras, somam 17 membros do conselho. A TV britânica BBC apurou dúvidas sobre o alcance do número necessário de solicitações para a reunião.
Caso o pedido seja aprovado, o conselho pode solicitar a renúncia de Infantino. Se ele resistir, a queda seria votada em um Congresso Extraordinário, em até três meses após o pedido.
Neste congresso, as 211 associações votariam. Seriam necessários 106 votos a favor do impeachment para a destituição do presidente da Fifa. Sem divisões internas, 136 associações teoricamente votariam contra.
Contudo, a insuficiência de votos no Conselho da Fifa atualmente sugere desafios iniciais. Isso pode dificultar a concretização de um processo de destituição contra Infantino.
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